Quase 60 mil empresas localizadas no Piauí estão inadimplentes e acumulam dívidas. É o que revela o Indicador de Inadimplência de Empresas do Serasa, que foi divulgado na última segunda-feira (06). De acordo com os dados, o Piauí possui 58.038 empresas endividadas. Os números se referem ao mês de maio deste ano.
No entanto, apesar do número ser considerado alto para a realidade do Estado, o Serasa pontua que o Piauí tem o segundo menor nível de endividamento de empresas do Nordeste.
Os Estados da Bahia, Pernambuco, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas apresentam índices de empresas inadimplentes bem maiores que o Piauí. A Bahia, por exemplo, concentra 328.055 CNPJ’s endividados. Pernambuco tem 214.259 e o Maranhão, 110.151. Em quantidade de empresas inadimplentes, o Piauí fica à frente apenas de Sergipe, com 40.571 empresas devedoras.
Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior volume de empresas inadimplentes em maio, segundo o Serasa. O destaque foi São Paulo, que tem mais de 3 milhões de CNPJ’s endividados, seguido por Minas Gerais (887.261) e Rio de Janeiro (869.138). Na sequência aparecem estados como Paraná (593.565) e Rio Grande do Sul (522.521).
Camila Abdelmalack, economista-chefe do Serasa, explica que a concentração de empresas inadimplentes acompanha o peso econômico e a maior densidade empresarial dessas regiões. Em todo o Brasil, mais de 9 milhões de negócios estão negativados no Serasa. Em maio de 2026, o volume de dívidas negativadas chegou a R$ 229,9 bilhões. Em média, cada CNPJ inadimplente acumulou sete contas em atraso, com dívida média de R$ 25.494,08.

Do total de empresas que estavam negativadas em maio, 55,6% eram do setor de Serviços. Na sequência aparecem as do setor de Comércio (32,3%), Indústria (8,1%) e do setor Primário (0,9%).
“Até pouco tempo, a principal pressão vinha da estrutura de custos e das condições de financiamento. Agora, começamos a observar também um ambiente menos favorável para a geração de receita. Esse é um ponto importante porque a desaceleração da atividade econômica tende a reduzir o faturamento justamente em um momento em que as empresas convivem com níveis elevados de endividamento”, afirma Camila.
Em relação à origem das dívidas, ela comenta que o maior peso ficou com o segmento de Serviços (31,5%), seguido por Bancos/Cartões (19,5%). Na sequência aparecem Cooperativas (8,6%), Utilidades (6,9%) e Telefonia (5,7%). “A maior parte da inadimplência empresarial não está no sistema financeiro. Isso mostra que muitas empresas enfrentam dificuldades para administrar o conjunto de compromissos necessários à manutenção da operação e do capital de giro”, acrescenta a economista.
Micro e pequenas empresas
Do total de empresas inadimplentes no Brasil, as micro e pequenas seguiram como maioria expressiva, com 8,5 milhões de CNPJ’s negativados. O grupo concentrou, segundo o Serasa, 59 milhões de dívidas que somaram R$ 198,8 bilhões. Em média, cada micro e pequena empresa acumulou 6,9 contas inadimplidas, com dívida média de R$ 23.177,51.
Fonte: Portal o Dia